quinta-feira, 14 de junho de 2012

AOS VESTIBULANDOS

Evídio Zimmer
Quem passa no vestibular começa a estudar bem antes da realização das provas e é por isso que vou citar um método que segui para ser aprovado em uma prova de desenho técnico, durante um curso de eletrônica. Eu precisava tirar seis ou estaria reprovado.

Para ser aprovado, primeiro me convenci de que seria capaz. Saiba o leitor que o equilibrista só consegue se equilibrar numa corda a trinta metros do chão, presa entre dois edifícios porque está convencido de que é capaz. Portanto, a sua primeira tarefa, caro vestibulando, é se convencer que você realmente é capaz. A segunda tarefa é se convencer de que merece.
Na referida disciplina aprendíamos a desenhar gráficos e diagramas elétricos. Cada desenho tinha um nome. O professor disse que a prova seria composta por quatro diagramas e um gráfico e que cada questão valeria dois pontos. Dessa forma ficou bem claro que eu deveria acertar pelo menos três questões.
Alguns diagramas eram muito complexos e certamente não cairiam na prova. Dessa forma separei todos os que tinham alguma chance de serem solicitados e comecei a estudar.

O MÉTODO
Não basta simplesmente estudar. É preciso seguir um método seguro e foi isso que fiz. Na época eu trabalhava numa indústria e o serviço me permitia dar uma parada a cada hora por dois minutinhos para estudar. Peguei o primeiro diagrama e o desenhei olhando para a folha. Depois o desenhei sem olhar. Ao conferir o desenho vi que estava errado. Então o desenhei novamente olhando e mais uma vez sem olhar. Até acertar. Depois de algum tempo retomei o mesmo desenho e fiz isso até acertar ele sem ter que olhar. Depois disso passei para o segundo, agindo da mesma forma como tinha feito com o primeiro. Claro que antes fiz o primeiro desenho, partindo então para o segundo. Quando sabia os dois primeiro, fui para o terceiro, mas sempre começava pelo numero um, depois o dois, daí o três e assim por diante, dessa forma fixava realmente em meu subconsciente os desenhos. Quanto aos gráficos, havia apenas um que poderia ser desenhado durante uma prova. Dessa forma não me preocupei com ele. Bastava uma simples olhada antes da prova e eu o acertaria. Segui esse método até o dia da prova.

A MENTALIZAÇÃO
Sou da opinião que NÃO SE DEVE PEDIR A ESMOLA QUE NÃO SE PRECISA, dessa forma me convenci que tiraria oito na prova. Algumas pessoas me perguntavam por que oito? Não seria melhor mentalizar dez? Não. Com seis eu já seria aprovado, por isso me convenci que tiraria oito. Não se deve sobrecarregar o cérebro e por isso mentalizar dez, poderia por tudo a perder.

COMO AGI
Até o momento falei do método para estudar. Agora vou falar das mentalizações que fizeram com que tudo desse certo.
O colégio onde estudava tinha um grande salão com um mural onde colocavam os avisos. Inclusive as notas dos alunos após as provas. Dessa forma mentalmente, de olhos fechados me via entrando no salão. Dirigia-me ao mural, procurava o papel com a minha turma, procurava o meu nome e lia ao lado dele o número oito. Mentalmente então repetia: "oito, oito, oito...". Virava-me e via entrando no salão um colega que era muito meu amigo. Então dizia o seu nome e o informava de que havia tirado oito. Como resposta ele dizia que já tinha visto. Fiz isso com muito realismo e convicção.

NO DIA DA PROVA
No dia da prova eu me dirigi até a classe e esperei a prova ser entregue. Quando recebi a prova lembrei que havia me esquecido do tal gráfico. Agora era tarde, não tinha mais tempo para estudá-lo. Quando o professor deu a ordem para iniciar a prova, virei ela com as perguntas para baixo, respirei fundo algumas vezes e aí falei para o meu subconsciente: "meu subconsciente, estudei bastante e por isso sei as respostas. Por isso você vai me fazer lembrar de todas as questões estudadas" e dessa forma iniciei a prova. Mesmo não tendo estudado o gráfico eu o fiz. Tinha certeza de que estava errado. Revisei todos os desenhos e mais uma vez virei à prova para baixo. Fechei os olhos novamente, respirei fundo algumas vezes e então me dirigi novamente ao subconsciente dizendo: "subconsciente, assim que eu desvirar a prova, vou por os olhos nela e se tiver algum desenho errado, você vai mostrá-lo imediatamente". Respirei mais algumas vezes para relaxar e então desvirei a prova e assim que pus os olhos nela vi uma questão errada. Corrigi a questão e entreguei a prova. O professor olhou para ela e me perguntou:
- Quanto você precisava?
- Seis - respondi.
- Está bom, boas férias - respondeu-me.
No dia em que os resultados seriam afixados no mural fui até o colégio. Entrei no salão como tinha mentalizado, procurei o meu nome e lá estava o oito que tanto eu tinha mentalizado. Ao me virar vi o tal colega entrando, falei-lhe de que tinha tirado oito e ele me respondeu:
- Sim, eu já sei. Já vi a tua nota.
Alguém poderá dizer que foi pura coincidência. Eu tenho convicção de que fiz tudo certinho. Sei também que quando não estudei essas coincidências não aconteceram. Gostaria que os vestibulandos usassem esse método, adaptado ao seu caso e que também pudessem desfrutar de tão feliz "coincidência".

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